Neymar, um dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo (e também um dos mais polêmicos), oscilou entre o céu e o inferno, na última semana, durante as férias no Brasil. E o que um atleta famoso e rico tem a ver com o nosso setor, no qual prevalece o respeito às leis de proteção ao meio ambiente? A resposta: tudo. A explicação: o cidadão Neymar da Silva Santos Júnior, de 31 anos, atacante da seleção brasileira e do Paris Saint-Germain, foi multado na quinta-feira, 22 de junho, por causa de uma obra irregular, um lago artificial, no entorno de sua mansão, no município de Mangaratiba, no litoral, a 100 quilômetros do Rio de Janeiro.

Uma vez que o lago artificial – mostrado nesta foto – foi interditado e houve desdobramentos, a equipe jornalística do “AELO Online” entende que tal tema merece espaço no boletim desta semana. E antecipa que, no mesmo dia, Neymar passou do inferno para o céu, recebendo elogios pelo sucesso da 3.ª edição do Leilão Beneficente do Instituto Projeto Neymar Júnior, que contou com mais de 900 convidados, no Clube Monte Líbano, em São Paulo. Foi uma noite de tapete vermelho e de emoções. No entanto, no sábado, dia 24, o caso de Mangaratiba teve novos reflexos: por ter mergulhado no lago interditado, Neymar recebeu mais uma multa e voltou a sentir o calor do inferno. Esta nota é um misto de noticiário ambiental-policial e crônica social. E contribui para relembrar: obra irregular em condomínio do litoral do Estado do Rio de Janeiro é ação que se configura nos princípios da campanha Lote Legal, da AELO. O respeito às leis de proteção ambiental é obrigatório – tanto por parte de anônimos quanto de personalidades famosas.
A propriedade de Neymar, em Mangaratiba-RJ, virou notícia de destaque nacional, quinta-feira, depois de uma obra ter sido multada e interditada por fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do município, por causa de infrações ambientais. Na ação, Neymar da Silva Santos, pai e empresário do jogador, chegou a receber voz de prisão por desacato às autoridades. Ele acabou sendo liberado depois de pedir desculpas.
A obra é a construção de um lago artificial de mil metros quadrados, parceria de Neymar com a Genesis Ecossistemas. Essa empresa vinha usando as redes sociais para noticiar a evolução sobre seu trabalho no local. Especializada em lagos e piscinas naturais, a Genesis, criada pelo veterinário Ricardo Caporossi Júnior, atua no ramo de paisagismo e jardinagem há 19 anos.
A novela da construção do lago artificial prosseguiu até o fim da semana: uma nova vistoria da Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba, na manhã de sábado, constatou que a suspensão da obra não estava sendo cumprida. Ao chegarem ao condomínio Aero Rural, os fiscais identificaram movimentações na área interditada, o que caracterizava não só o rompimento do embargo, mas também novas infrações ambientais. Vídeos postados nas redes sociais mostravam Neymar recebendo amigos na área embargada e mergulhando no lago.
Búzios-RJ age contra loteamentos ilegais
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1.ª e 2.ª Promotorias de Justiça de Búzios, com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), e em atuação conjunta com a Polícia Civil (127ª DP) e a Polícia Militar (25º BPM), realizaram, em 14 de junho, a operação Spolia, destinada ao cumprimento de mandados de busca e apreensão (foto).

O objetivo é desmantelar associação criminosa que atua invadindo terrenos no município de Armação dos Búzios, mediante intimidação com emprego de arma de fogo, promovendo, ainda, desmatamento de vegetação nativa, venda de lotes ilegais e uso de documentos falsos na região. O termo ‘spolia’, em latim, significa esbulho, invasão, o mesmo que privação de posse.
As investigações se iniciaram a partir de denúncias de diversas vítimas que comunicaram ao Ministério Público em Búzios que determinada região no município estava sendo invadida por um grupo armado, com possível articulação, inclusive, com milícia situada na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. O grupo em questão invadia os terrenos, mediante ameaças, a pretexto de estar agindo para proteger patrimônio particular discutido em inventário. Posteriormente, contudo, após as invasões, era promovido o loteamento e venda irregular de terrenos por meio da empresa Omegaville, situada no Bairro de Campo Grande e com histórico de atuação em invasões e venda de lotes irregulares.
Foram alvos dos mandados de busca e apreensão da operação desta quarta lideranças da associação criminosa, seguranças, corretores, empresários e outros integrantes do grupo. O material arrecadado servirá de base para futuro oferecimento de denúncia por parte do MPRJ, buscando, na Justiça, a responsabilização dos envolvidos nas atividades criminosas.





